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Notícias

28/09/2016

Transformação de escolas

Conheça quatro histórias cotidianas e encantadoras

Karla, Luciene, Nilce e Maria Alice estavam entre os 33 técnicos da secretaria de educação inscritos na 1a Ação de Reconhecimento de Comunidade de Aprendizagem. Em agosto, quando souberam que seus relatos tinham sido selecionados, fizeram a festa.

Conheça quatro histórias cotidianas e encantadoras

Nós escrevemos uma reportagem indicando os nomes escolhidos e um texto com depoimentos dos sete gestores escolares. Abaixo você encontra detalhes sobre as histórias das técnicos das secretarias inscritas e que nos encantaram. Boa leitura!

 

Karla Oliveira – Cajamar (SP)

As escolas de Cajamar estão envolvidas com Comunidade de Aprendizagem faz 3 anos. As tertúlias dialógicas literárias, as comissões mistas e os grupos interativos fazem parte da rotina de 8 das escolas, e as assembleias para resolução de conflitos estão em parte delas. Até 2015, eram 5 as escolas (uma delas de Educação Infantil e as demais de Ensino Fundamental) que implementavam o projeto. Mas havia outras 3 que iriam participar da sensibilização. Antes disso, porém, tivemos uma ideia: faríamos um encontro entre as equipes das escolas já envolvidas com as propostas e as que estavam chegando.

A expectativa era que elas mostrassem os resultados e os processos pelos quais passavam e, com isso, conseguissem convencer as novas. Os resultados foram melhores do que o previsto! Professores e gestores “padrinhos” contaram que, com o projeto implementado, o interesse dos estudantes pelos estudos aumentou, que a interação melhorou, e que o impacto na aprendizagem era perceptível! Para acompanhar as falas, mostraram portfólios, materiais teóricos, vídeos de tertúlias e grupos interativos, e o acervo de livros utilizados. Explicaram de que forma adequavam as propostas ao planejamento, quais as dificuldades e formas de encarar os processos previstos, fazendo com que o projeto ficasse real e próximo. Para realizar essa apresentação, as equipes tiveram que se preparar e pensar em argumentos sólidos de serem mostrados às demais. Esse processo foi riquíssimo e desafiador a essas equipes, mas mostrou a importância e a qualidade do trabalho realizado por esses educadores. 

As escolas “apadrinhadas” se encantaram. Grande parte dos professores não adotaram aquele discurso de resistência diante da novidade, que muitas vezes diz que o trabalho vai só aumentar, ou que as práticas de CA só dão certo no exterior ou em outro contexto, questionando sua efetividade.

     

Ao abrir esse diálogo entre as escolas, a intenção foi deixar as práticas de Comunidade de Aprendizagem mais sólidas, envolventes a todos os da rede.

A experiência foi realizada em um encontro apenas. Mas a intenção é expandir ainda mais, procurando englobar as 32 escolas da rede, de Educação Infantil e Ensino Fundamental. Está também nos planos possibilitar que as escolas mais experientes continuem acompanhando as demais na implementação, mantendo o diálogo e a proximidade entre elas e o aprendizado de equipes e estudantes.

 

Maria Alice Bastos Pereira – Tremembé (SP)

O envolvimento das escolas municipais de Tremembé com Comunidade de Aprendizagem é grande: todas as 17 unidades escolares, entre escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental, implementam as práticas do projeto. Há Tertúlias Literárias, Grupos Interativos, Comissões Mistas, e a prática da Biblioteca Tutorada está entrando na rotina.

Em uma das escolas do campo, porém, o que chama atenção são as atividades das Comissões Mistas. São cerca de 7 pessoas que se encontram quinzenalmente para discutir aspectos de aprendizagem e de infraestrutura e lutam para que as necessidades dos 90 alunos sejam garantidas. Já conseguiram criar a horta para as crianças, arrecadaram verba no bingo para custear uma saída pedagógica, organizaram aulas de informática e sapateado às famílias, e estão planejando a festa de comemoração do dia das crianças, com direito a aluguel de brinquedos e campo de futebol. 

      

Mas a maior das mobilizações da Comissão foi para manter na escola as 6 crianças do 1oano. Por ser inviável abrir uma turma só para elas, ficou indicado que seriam transferidas para outra instituição. Mas a comunidade acreditava ser mais benéfica a continuidade delas na escola e no bairro. Voluntários, pais, representantes do Grêmio estudantil, funcionários e a coordenação se organizaram, conversaram com a secretaria de educação e tiveram suas justificativas aceitas! Foi criada uma turma multisseriada com os colegas de 2o e 3o anos. 

No decorrer do ano, nova mobilização foi feita com o objetivo de potencializar o aprendizado das crianças de 3o ano. Então uma professora passou a vir à escola e atender esses pequenos duas vezes na semana, garantindo desafios específicos para seu nível de aprendizado. 

 

Luciene de Souza Borges - Serra do Salitre (MG)

As tertúlias dialógicas estão mudando a rotina das 6 escolas municipais de Ensino Fundamental e de Educação Infantil. Desde o começo de 2016, quando as equipes passaram pelo processo de sensibilização, a leitura dos livros nas Tertúlias Literárias virou rotina. E tem surpreendido pela participação das crianças!

Um dos casos interessantes ocorreu na turma de 3º ano, com um aluno que interage pouco com os colegas, é paraplégico e assistido por uma profissional que propõe atividades diferenciadas para suas necessidades. Ele insistiu em participar e, com lentidão na fala, comentou: "gostei da porta porque ela abre devagarinho". Em outros momentos, o menino continuou querendo se expor e argumentar. Essa situação chamou a atenção nos educadores, que repensaram propostas mais integradas entre o menino e a turma, e envolveu os colegas, que o observaram de outra forma. A equipe resolveu realizar as tertúlias a cada quinze dias – e não um mês –, e percebeu a necessidade do diálogo interativo e igualitário para que todos possam dizer o que estão sentindo e expor seus sentimentos.

      

Entre os educadores, a Tertúlia Pedagógica tem presença mensal nos encontros de formação de professores e coordenadores pedagógicos. A equipe se organiza para eleger qual o tema da conversa, o livro que vai embasar a discussão e quem será o mediador. E é interessante ver como os conhecimentos dos participantes são complementares: após as discussões e comentários, um texto complexo passa a ser compreendido por todos. Hoje, há espaço garantido para estudo sobre temas atuais com materiais de qualidade. São momentos desafiadores, mas esperados e valorizados, que aproximam teoria e prática e colaboram para construção de uma escola inovadora, igualitária e solidária.

 

Nilce Araújo Fernandes Sano – Mogi Guaçu (SP)

Em 2016, o início do trabalho com Comunidade de Aprendizagem em Mogi Guaçu impressionou os participantes e impulsionou uma continuidade das propostas nas escolas. Em dois momentos isso ficou mais evidente.

O primeiro deles ocorreu na certificação dos formadores em CA, quando a técnica da secretaria realizou sua primeira Tertúlia Pedagógica Dialógica. No livro lido, ficou emocionada com o trecho que falava sobre um professor que não conhecia bem seus alunos e, por isso, não poderia ensiná-los bem. Então, lembrou-se dos 12 anos que trabalhou em uma escola que abandonou, frustrada por não considerar que as crianças aprenderam como o esperado. Mas, no momento da Tertúlia, ela notou que aquela seria a oportunidade de retomar os estudos e tentar superar o desafio de melhorar sua formação e, quem sabe, conseguir ensinar a todos de uma forma mais consistente. Foi uma emoção geral!

      

Outro momento interessante para o município foi a primeira das práticas com Grupos Interativos nas escolas. Naquele dia, os voluntários estavam inseguros sobre qual seria sua participação, os estudantes nunca tinham feito nada parecido e a equipe pedagógica estava avaliando a prática. Mas os estudantes, reconhecidos por serem indisciplinados, surpreenderam: os grupos trabalharam de forma harmoniosa, interagiram com os voluntários e souberam trocar experiências para promover aprendizado. O professor interveio quando necessário, mas todos tiveram voz e oportunidade de tirar as dúvidas. Até os mais bagunceiros aproveitaram e colaboraram com a proposta! Quando a prática terminou, os cinco voluntários, que eram funcionários e mães de crianças da escola, reuniram-se com os educadores, mostraram sua alegria pela participação e já combinaram: estavam à disposição para uma próxima oportunidade.

As propostas de Comunidade de Aprendizagem são vistas hoje como uma descoberta de que é possível ousar e trabalhar de forma participativa e inclusiva.

 

Por Beatriz Santomauro

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