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As experiências do VII Encontro Internacional de CA!

23/11/2017

As experiências do VII Encontro Internacional de CA!

Dias 23 e 24 de outubro, representantes de 28 municípios brasileiros e cinco países da América Latina reuniram-se em São Paulo no VII Encontro Internacional de Comunidade de Aprendizagem. Na programação, momentos de troca de experiências, disseminação e aprofundamento nas estratégias desenvolvidos em diferentes locais – o projeto está presente em 281 escolas da rede pública brasileira e em 434 instituições da Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru. “Nossa intenção foi promover o contato entre as diferentes formas de implementação de CA e colaborar para o trabalho com o projeto em variados contextos”, conta Fernanda Pinho, coordenadora do Instituto Natura responsável pelo projeto Comunidade de Aprendizagem.

  

Palestras e discussões

No evento, profissionais da América Latina falaram sobre a experiência de cada país em relação à Comunidade de Aprendizagem e gestores escolares compartilharam como fazem a implementação do projeto em suas escolas. O encontro promoveu dois momentos de trabalhos em grupo. No primeiro, os participantes relembraram suas histórias com Comunidade de Aprendizagem, retomando como foi o processo de transformação para cada um. No segundo, os participantes compartilharam diferentes estratégias que podem contribuir com a implementação de Comunidade de Aprendizagem nas escolas e nas Secretarias Municipais de Educação. Nomeamos essas estratégias como ações autônomas – elas serão digitalizadas e compartilhadas entre todos os participantes.

  

Os vencedores da Ação de Reconhecimento e das Histórias de Transformação foram homenageados!

 

Leia trechos das falas de alguns dos participantes:

Monserrat Creamer, coordenadora de Comunidade de Aprendizagem no Equador (Grupo Faro)

“Equador tem 4 milhões e meio de habitantes e temos passado por muitas reformas educacionais. Não temos recursos financeiros, mas esforços de muitos atores para a melhoria da educação. Conhecemos Comunidade de Aprendizagem e participamos então dos cursos a distância, da formação de formadores e fizemos convênio com Ministério da Educação. Para esse convênio, era essencial fomentar inclusão e aprendizagens, e mostrar que havia evidências que o trabalho seria possível!

Estamos fazendo a implementação em escala nos países da serra e da costa do país em 13 escolas, com envolvimento de 15.456 estudantes e 641 educadores. Hoje realizamos Grupos Interativos, Tertúlias Literárias, Formação Pedagógica Dialógica, Resolução de Conflitos (em parte das instituições delas) e Biblioteca Tutorada (em uma das escolas), e em algumas estamos na fase dos sonhos. Fizemos estratégias para que professores, familiares, gestores e estudantes acessassem a plataforma e utilizassem as funcionalidades disponíveis.”

Claudia Balagué, Ministra de Educação da Província de Santa Fé, Argentina

“Na Argentina, diferentemente do Brasil, a administração dos sistemas educativos é realizada por cada província. No total temos hoje 4.845 escolas e 850.000 estudantes, o que exige uma grande articulação com todos. Dos 4 aos 18 anos a escolarização é obrigatória, e temos como base a promoção à inclusão, a qualidade educativa e a escola como instituição social. São grande desafios!

Quando tivemos a proposta de implementar Comunidade de Aprendizagem, vimos que os objetivos eram muito próximos com nossas políticas. E não é sempre assim! Existem muitas propostas que chegam à rede, mas recusamos a maior parte delas porque acreditamos que a educação não pode ser uma junção de boas ideias soltas, mas integradas entre si e com a comunidade.

Entre os sonhos de nossas escolas, encontramos oficinas, reforma de espaços e recuperação de valores, como de convivência e solidariedade. Muitos dos sonhos já foram alcançados, como o cinema na escola e as brincadeiras no pátio. Propusemos que as escolas desenvolvessem pequenos filmes mostrando seus sonhos para exibi-los nas cidades, o que foi motivador para todos porque a linguagem audiovisual está muito presente.”

 

Viviane Cristina Casagrande Ribeiro, diretora da EMEF Eduardo Rodrigues de Carvalho, em Socorro (SP)

“Nossa escola está localizada em um local muito vulnerável. Quando conhecemos Comunidade de Aprendizagem com base no curso a distância disponível no portal, nosso trabalho teve como foco os Grupos interativos (saiba mais nesta reportagem) e, mais recentemente, a Biblioteca Tutorada. Acreditamos na proximidade das famílias dos estudantes para a transformação, e notamos que a escola é o coração da comunidade. Faz diferença termos a presença dos voluntários nas turmas, garantindo a interação e a aprendizagem! A troca de vivências, de valores, de colaboração e de solidariedade é importante para todos.”

 

Celma Alvez da Silva, professora de Educação Infantil da Creche Escola Dia Feliz, em Ibitiara (BA)

“Fazemos Tertúlias Dialógicas Literárias com a turma de crianças de cinco anos e, para que elas tenham contato com as histórias, precisamos mobilizar os pais. Por isso fizemos reuniões e explicamos que deveriam ler os textos em casa para que as crianças pudessem discutir em sala de aula. Conseguimos vencer parte do desafio de conseguir obras literárias comprando alguns títulos e recebendo doações. As práticas têm sido essenciais para que as crianças ampliem a forma de argumentar e o repertório de experiências e palavras.”

  

Maria do Carmo Rodrigues Lurial Gomes, consultora pedagógica do Instituto de Corresponsabilidade pela Educação (ICE) e supervisora de ensino da rede estadual de São Paulo

“Tenho pensado nos momentos de recuperação dos estudantes e na dificuldade de superar as dificuldades para colocar isso em prática, mesmo com muita vontade. Por isso procurei incorporar na rotina do trabalho da rede estadual as práticas de CA”

 

Cristiana Berthoud, Secretária Municipal de Educação de Tremembé (SP)

“O projeto Comunidade de Aprendizagem está presente desde 2014 em nosso município, sendo que a implementação é feita hoje em todas as escolas de Ensino Fundamental e Educação Infantil e está interligada ao projeto ‘Eu sou voluntário’ da prefeitura. Acreditamos que a política educacional sozinha não altera a educação, mas que o essencial são as mudanças nas pessoas. Com base nas práticas que estão sendo realizadas hoje, temos a certeza de que vamos conseguir a sustentabilidade e continuidade de CA nas escolas.”

 

Célia Viam, Secretária Municipal de Educação de Socorro (SP)

“Desde 2013 víamos a necessidade de implementar uma outra forma de trabalho na rede, que fosse democrática e abrisse a possibilidade de diálogo. Conhecemos o projeto Comunidade de Aprendizagem e vimos que havia um caminho já sistematizado que poderia ser seguido, com reflexão e técnicas pedagógicas. Por isso, hoje o projeto está presente em todas as 27 escolas, com famílias presentes e atuações educativas de êxito sendo colocadas em prática. O IDEB do município cresceu de 5,9 para 7! Uma das escolas mais problemáticas da rede subiu de 5,4 para 7,2 no IDEB. Percebemos que estamos deixando um legado importante para os próximos anos e que o projeto virou uma política pública. Tanto é que está no planejamento incluir o projeto no Plano Municipal de Educação, e nos Projetos Político-Pedagógico está prevista a compra de livros para as tertúlias.”

  

Mariângela Aparecida de Oliveira Rodrigues, Secretária Municipal de Educação de Pedreira (SP)

“Temos sete escolas dos anos iniciais do Ensino Fundamental e 5 polos de escolas de pré-escola. Nossos diretores e coordenadores estão sendo formados para partir com a transformação das escolas em Comunidade de Aprendizagem. Notamos que as mudanças estão sendo realizadas e que aos poucos temos avanços!” 

Por Beatriz Santomauro          

 

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