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Diferentes formas de organizar encontros municipais

21/02/2017

Diferentes formas de organizar encontros municipais

Trocar experiências sobre as conquistas e desafios de Comunidade de Aprendizagem (CA) nas escolas, conhecer os resultados das Atuações Educativas de Êxito (AEE) em sala de aula, mobilizar voluntários e estudantes, dar voz aos participantes e possibilitar um momento de interação. Esses são alguns dos objetivos dos encontros municipais, que já aconteceram de forma embrionária em 2015, tomaram corpo em 2016 e que em 2017 vão ser parte das ações de redes que estão implementando Comunidade de Aprendizagem. Fernanda Pinho, coordenadora do projeto, explica: “Cada município têm uma história com CA que precisa ser compartilhada. Esses momentos de encontro colaboram para o fortalecimento da rede, a sensação de pertencimento de grupo e a consciência de um sentido maior para o fazer diário”.

O encontro municipal não tem um modelo fixo: a quantidade de horas, o dia da semana, a programação e os participantes podem variar conforme o que é definido pela secretaria de educação. Entre as experiências até agora, houve um formato básico seguido, que incluiu uma fala de abertura apresentando o projeto e como ele se organiza na rede, a apresentação de professores ou gestores contando experiências práticas em sala de aula e um palestrante que explorou um tema de CA ou relacionado a ele. Alguns dos encontros fez parte de um evento já organizado pela secretaria, em outros foi incluída uma AEE para vivência dos participantes ou vídeos registrando falas das famílias, e todos foram realizados uma vez ao ano. “É um momento muito rico, porque escolas conseguem apresentar os trabalhos que desenvolveram durante o processo de implementação do projeto”, conta Priscila Collet, formadora de CA.

Ela colaborou na organização de encontros em Mogi Mirim e São José do Rio Preto, ambos municípios paulistas, e aponta que a escolha dos dias, horários, locais e transporte sempre é um desafio, já que é preciso conciliar as agendas da equipe da secretaria, professores, alunos e pais, cada um com seus compromissos. “Queremos promover sempre o maior número de participantes. Se o espaço for amplo, é possível ainda convidar escolas não envolvidas com CA e a comunidade escolar, possibilitando a ampliação do projeto. A presença de algum representante da secretaria de educação também é importante para dar legitimidade ao projeto na rede”, diz.

 

Diferentes experiências

No encontro municipal de Mogi Mirim, estiveram presentes apenas professores que participavam das AEE em suas escolas, gestores, voluntários e alguns alunos. E em São José, o encontro de CA foi na abertura de outro evento da rede, então havia a possibilidade da presença de mais pessoas. Quanto à escolha da pauta, nesses municípios cada escola elegeu o que gostaria de apresentar.

Elza Araújo Goes, de São José do Rio Preto, conta a experiência da rede: “Procuramos fazer com que estivessem contempladas as diferentes situações presentes no dia a dia da rede, como as diversas AEE”. Lá, cada escola apresentou uma prática que realiza e procurou mostrar o que significa, como é organizada, como a proposta foi desenvolvida na escola, os avanços nos resultados e os desafios encontrados.

    

  

 

Em Mogi Mirim, Cristiane Helena Barboza Guarnieri foi uma das técnicas da secretaria de educação envolvidas com o encontro. Hoje lecionando na EMEB Professora Ana Isabel da Costa Ferreira, explica como foi: “Cada uma das seis escolas que se apresentaram tiveram de 10 a 15 minutos para contar sua experiência. Para planejar o que seria explorado por cada uma delas, fizemos reuniões para identificar o diferencial do que estava sendo feito. Com isso, no encontro municipal tivemos um panorama do trabalho com tertúlias literárias, de arte ou pedagógica, com Comissões Mistas e Biblioteca Tutorada”. Ela conta que procuraram valorizar os voluntários, aproveitando o encontro para fazer uma homenagem simbólica a eles e entregando certificados de participação no palco. O evento foi organizado pelo município pela primeira vez, mas já é possível dar dicas aos demais: “é proveitoso registrar as práticas ao longo do ano para não precisar recuperá-las no momento do encontro e essencial manter na agenda encontros regulares com as escolas para acompanhamento das práticas e das dúvidas no ano letivo, para ter encaminhada uma sistematização no fim do ano”, conta Cristiane.

       

 

Olhar inovador

Para Ricardo Paim, formador de CA e palestrante de cinco dos eventos de 2016, o formato de um encontro municipal pode ser sempre uma questão para se refletir: “Muitas vezes podemos organizar uma reunião mais formal, em que uma pessoa fala e as demais da plateia escutam. Mas também podemos pensar sempre em algo diferente, que possa ser inovador, valorizando a presença e a voz dos estudantes, que são a razão de nosso esforço, ou incluir elementos das artes, como tocar músicas ou fazer um ambiente visualmente agradável. Procurar fazer encontros mais frequentes também pode fazer parte dos desafios a se enfrentar”. Nas palestras que apresentou, Paim já falou sobre Modelo Dialógico de Prevenção e Resolução de Conflitos, importância da leitura, acolhimento dos novos integrantes das redes, mas os temas variam conforme as demandas que a rede apresenta ou sobre os estudos que ele está realizando.

Além de procurar inovar, Bruna Elage, formadora de CA, destaca que para organizar o encontro é preciso respeitar o momento do município em relação à implementação de Comunidade de Aprendizagem. “Não temos um desenho fechado do que é o encontro: o importante é identificar o que a rede precisa e pensar no que for mais apropriado para fortalece-la, sendo uma oportunidade de escuta e de troca entre as escolas e a comunidade. Bruna acompanhou diversos encontros municipais, e cita a grande Tertúlia Literária promovida no evento da paraense Benevides. Nessa Tertúlia, plateia e palco ficaram envolvidas para discutir obras clássicas da literatura – e as crianças emocionaram por sua sensibilidade e capacidade de expressão.

   

Ana Paula Fernandes Renato, da secretaria municipal de educação, disse que parte do sucesso do Encontro Municipal é incluí-lo no planejamento anual das equipes e contar com todo o ano letivo para planejamento. “Notamos que organizar um calendário escolar com o encontro estimulou e direcionou o trabalho com CA nas escolas e enriqueceu as possibilidades de trabalho do tema explorado. Ter um tempo dedicado para preparação também facilita a organização de material e da fala”, comenta. E ainda finaliza orgulhosa: “Quase toda nossa rede esteve presente no encontro e ainda recebemos municípios vizinhos que quiseram participar. E em 2017 tem mais!”

 

Por Beatriz Santomauro

 

 

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