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Dez experiências sobre Comunidade de Aprendizagem

30/09/2017

Dez experiências sobre Comunidade de Aprendizagem

Neste ano, fizemos o convite para que os envolvidos com Comunidade de Aprendizagem nos enviassem suas histórias sobre transformação de alunos, familiares e educadores. Conheça os autores dos 10 registros mais significativos, segundo olhar de nossos selecionadores. Agradecemos aos inscritos e parabenizamos os selecionados, que participarão do Encontro Internacional de Comunidade de Aprendizagem em outubro, em São Paulo, com as despesas pagas!

Veja os nomes e as histórias registradas por cada um:


Adriana Rocha de Souza Miranda, Escola Municipal Rui Barbosa, Souto Soares (BA)

Um só sonho, uma só realidade

"Alguns dos sonhos já foram realizados e estão fazendo a diferença, e estamos implementando as Tertúlias Dialógicas Literárias e os Grupos Interativos.

Vivenciar o processo de planejamento, filmagem, tematização, replanejamento das Tertúlias Dialógicas Literárias nas turmas de 4 e 5 anos tem sido uma constante aprendizagem. Uma das crianças comentou, depois da leitura do Pinóquio: 'Eu gostei da parte que a fada transformou Pinóquio em um menino de verdade. Eu queria ser transformada em uma fada porque ela faz coisas boas'. As crianças dos anos seguintes também notam os avanços nos aprendizados: 'Eu gosto da tertúlia porque eu não tenho mais vergonha de falar e também estou aprendendo a ler'.

Com os Grupos interativos notamos que é possível assegurar a igualdade de aprendizagem, dinamizar e potencializar a interação entre iguais, otimizar o tempo de aprendizagem e favorecer a rotatividade de atividades entre os grupos. Estamos implementando essa prática com crianças de 3º e 5º anos e nos organizando para ampliar para as demais turmas. Os resultados são já comentados, como nesta frase de uma das educadoras: 'O grupo interativo é uma ação que distancia as crianças das dificuldades, pois há interação e solidariedade e todos se responsabilizam pela aprendizagem e o sucesso em cada atividade'.

Seguimos nossos trabalhos com muito entusiasmo, dedicação e responsabilidade para que juntos possamos alcançar os objetivos planejados - principalmente para os nossos queridos alunos!

Hoje somos um só sonho, uma só realidade, escola e comunidade. Onde começa e onde termina cada uma? Esse é o diferencial de ser Comunidade de Aprendizagem! Seguimos estudando, planejando, sonhando e realizando: este é o processo, o limite será o sucesso!"

 

Alessandra Vaz de Souza Dias e Souza, EMEB Professora Vera Sandoval Meirelles, Mococa (SP)

Como Comunidade de Aprendizagem me transformou

"Ainda antes da transformação da escola, em 2016, Comunidade de Aprendizagem me transformou. À medida que aliava a teoria à prática, comecei a perceber que os princípios da aprendizagem dialógica eram exatamente aquilo que eu acreditava. Não conhecia as nomenclaturas, nem toda a fundamentação teórica, mas acredito nesse modo significativo de transformação da realidade por meio da educação. Eu redescobri Paulo Freire e dei outro significado à minha prática.

Comecei a semear os princípios da aprendizagem dialógica e a realizar tertúlias literárias e pedagógicas nas reuniões de formação coletiva. O meu intuito era que as demais observassem, ouvissem relatos de sucesso e se sentissem mais seguras e motivadas para se transformarem também. Algumas professoras começaram a realizar os Grupos Interativos, e a sementinha começou a germinar. As inseguranças que apareciam eram sobre como alunos que nem liam convencionalmente iriam participar de uma tertúlia, e se a presença de outras pessoas nas salas de aula não poderia atrapalhar.

Propus que todas as salas realizassem Tertúlias Literárias e passamos a constatar o quanto os pequenos sabiam sobre o mundo, sobre a vida e como conseguiam argumentar. As professoras observaram na prática que era possível alcançar os princípios da aprendizagem dialógica discutidos nas reuniões de formação.

Nos Grupos Interativos eu também ficava presente para que as educadoras pudessem ver os passos necessários para a realização dessa atuação. Planejava com elas quais atividades poderiam ser usadas e como agrupar de maneira significativa.

Vivenciamos momentos que marcarão para sempre minha trajetória profissional, como o de funcionárias que participaram como voluntárias, redescobriram o papel de cada uma delas como educadoras e se sentiram valorizadas por colaborar com a aprendizagem. A Comunidade de Aprendizagem está nos transformando, mas almejamos impactar muito mais nosso entorno. Agora já sabemos que estamos no caminho certo. Porque, como escreveu Paulo Freire, 'se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda'."

 

Elaine dos Santos Depieri, EMEB Prof.ª Ana Isabel da Costa Ferreira, Mogi Mirim (SP)

Avó, voluntária e inspiradora!

"Dona Neusa, avó de um aluno de nossa escola, é o exemplo de transformação mais inspirador que conheço. Ela esteve sempre presente nas reuniões de pais, trazia o neto para a aula de reforço e com paciência escutava reclamações do comportamento do garoto. Quando passamos pelo processo de transformação, em 2015, foi uma das pessoas que de imediato aderiram ao projeto. É voluntária nos Grupos Interativos que acontecem semanalmente, participa da Comissão Mista que se reúne quinzenalmente, montou e cuida da nossa horta escolar. E não deixa de demostrar satisfação por realizarmos as Tertúlias Literárias e desenvolvermos o Modelo Dialógico de Resolução de Conflitos.

E nos emociona quando diz: “meu neto melhorou muito na escola e minha vida mudou. Quando estou aqui até esqueço dos meus problemas de casa”. Ela acredita que o desempenho escolar do estudante está melhor depois que passou a participar das atuações educativas de êxito. Com seu dinamismo e motivação, ela ainda traz vários voluntários para participar dos grupos interativos e da comissão mista, e sempre dá boas ideias e coloca a mão na massa. São pessoas como ela - e cada uma do seu jeito - que fazem com que nossa escola seja uma Comunidade de Aprendizagem."

 

Felipe Gustavo Costa de Oliveira, Ginásio Carioca Epitácio Pessoa, Rio de Janeiro (RJ)

Pequenas e grandes mudanças

"Em 2013, muitas das ações de Comunidade de Aprendizagem já estavam sendo feitas na minha escola, como os Grupos Interativos, as Tertúlias Literárias e a Biblioteca Tutorada. Um ano depois, quando comecei a atuar ali, fui inspirado pelas histórias de transformação que já estavam acontecendo.

Um exemplo marcante é de uma das nossas funcionárias. Depois de participar como voluntária nos Grupos Interativos e ver tantos efeitos positivos na educação, resolveu cursar faculdade de Pedagogia. Ela também passou a interagir mais com os alunos e a entender a importância do diálogo igualitário para o processo de aprendizagem.

Outra transformação que aconteceu na escola presenciei nas Tertúlias Literárias. Uma vez por semana realizamos essa prática e debatemos sobre obras clássicas da literatura universal. Já li com os alunos Romeu e Julieta, O Maravilhoso Mágico de Oz, O Diário de Anne Frank, As Mil e Uma Noites e Um Conto de Natal, e observei como é maravilhoso o despertar para a viagem ao conhecimento. Mesmo aqueles que pouco falavam passaram a dar suas opiniões com confiança e abriram o coração para traçar paralelos entre os livros e suas próprias vidas. A cada leitura de uma mesma obra eu passei a notar quantas surpresas ainda estavam escondidas naquelas páginas e eram desvendadas pelos estudantes.

Em Os Meninos da Rua Paulo, de Ferenc Molnar, a comoção com a morte de um dos personagens fez com que a turma de 8o ano debatesse questões profundas e difíceis para todos nós, como a brevidade da vida, a dificuldade em lidar com a perda de quem amamos e os sacrifícios que somos capazes de fazer pelo bem-estar de nossos familiares. Vieram à tona histórias íntimas e dolorosas e muitos ficaram visivelmente emocionados. A fala de uma das participantes, mãe de aluna, foi especialmente marcante porque contou dos sacrifícios que os pais são capazes de fazer por seus filhos. Ao ver essas pequenas – e grandes – transformações, temos a certeza de que estamos no caminho certo."

 

Leila Daiane Bergamin, EM Cyrino Vaz de Lima, São José do Rio Preto (SP)

Casinhas iguais, escola e comunidade

“Era uma vez uma escola de ensino fundamental que nasceu em um bairro afastado, cheio de casinhas iguais. Em cada casinha foi morar uma família, mas que se sentiam deslocadas pois ali não havia mercado, nem açougue, nem quitanda, nem farmácia e nem padaria. Ali só tinha a escola, um posto de saúde, uma quadra de esportes e uma escolinha de bebês.

O tempo foi passando e essa escola não apresentava resultados positivos quando era avaliada, e até um apelido ela recebeu: “castigo”. A equipe escolar ficou indignada com essa situação e começou a sonhar com uma nova realidade em que havia quadra para as aulas de educação física e presentes no Natal, entre outros devaneios. E essa escola se tornou uma Comunidade de Aprendizagem, buscando a realização de cada sonho que foi sonhado junto.

Hoje essa escola tem quadra, abrigo de chuva, atividades educativas em grupos interativos, tertúlias literárias e pedagógicas, cantinho de leitura e jogos de tabuleiro nos recreios, visita do Papai Noel no fim do ano e comissões que colaboram com ideias e ações, num ambiente onde todos aprendem e ensinam, e buscam transformar a realidade social.

Junto com tudo isso, um grupo de professores e colaboradores se mantém trabalhando naquela escola e já completou três anos de continuidade dos trabalhos. E até crianças que no início se sentiam deslocadas perceberam que estão na escola para aprender a ler, escrever, calcular, para brincar e fazer amigos. Enfim, para serem felizes e sábias.

Esse processo ainda precisa continuar e se solidificar, com as boas ações e as atividades educativas de êxito, fortalecendo vínculos de pertencimento com a escola e com o espaço daquela localidade, que já cresceu e nem tem mais casinhas tão iguais.”

 

Leonardo Viana de Lima, Ginásio Carioca Aldebarã, Rio de Janeiro (RJ)

Redescoberta e ação

"O contexto de violência e segregação social em que vivem nossos alunos faz com que eles tragam para o espaço escolar – e para o processo de ensino e aprendizagem – todos os reflexos dessa realidade.

Lembro que certa vez eu estava muito entristecido por ver que meus esforços profissionais não apresentavam resultados. Peguei meu material e abandonei a classe. Estava decidido a pedir exoneração porque não suportava aquela condição. Mas a inspetora me faz mudar de ideia, então voltei para a classe e passei a agir com total indiferença ao que acontecia.

Quando fui convidado pela direção para ver a apresentação de Comunidade de Aprendizagem, achei que a proposta fosse uma perda de tempo e tive certeza que nunca os alunos conseguiriam acompanhar as atuações de êxito.

Só comecei a realizar as propostas de Comunidade de Aprendizagem depois da insistência de professoras que sempre admirei. Para a tertúlia literária, os alunos escolheram Romeu e Julieta – e como obras como essa não eram de meu interesse, confesso que não me animei. Antes de começarmos a tertúlia, li o texto e fiz uma pesquisa sobre o contexto histórico de sua produção. Nesse momento tive boas recordações do quanto gostava das aulas sobre o Renascimento.

Com a intenção de aumentar o interesse dos alunos, iniciei com a pergunta: “Alguém conhece a história de Romeu e Julieta?”. Entre uma fala e outra, um deles disse: “Quem nunca sofreu por amor, né, professor?”. Ouvi os conflitos, experiências e dramas que nunca dei oportunidade que relatassem durante minhas aulas. Afinal, eu considerava que o cumprimento eficiente do currículo era a garantia de sucesso da aprendizagem! Mas naquele momento percebi que minha condição de professor não me fazia diferente deles, e que as aulas seriam mais ricas se todos pudessem participar. Deveríamos formá-los para a vida!

Nesse momento começou minha mudança. Já me sentia feliz por compartilhar leituras e conversas com eles. Quando concluímos a obra, realizamos em parceria com outras educadoras uma releitura de Romeu e Julieta em fotonovela e apresentamos para a comunidade escolar uma peça teatral com a adaptação da obra.

Passei a discutir em grupos os textos relacionados à Ciências, a disciplina que leciono, e os alunos se mostraram capazes de formular experimentos e elaborar novos questionamentos e conclusões.

Ao me redescobrir como profissional, vi que antes eu era um reprodutor inconsciente dos conceitos sociais que criticava. Hoje acredito que a escola é a melhor e a maior ponte entre o patrimônio cultural e a construção do futuro de nossos jovens, e que é o espaço onde podemos transformar sonhos em vida."

 

Lirian Cristina da Silva Paes dos Santos, EMEF Nicolau Couto Ruiz, Tremembé (SP)

Comissões mistas e o resultado no dia a dia

"O envolvimento de nossa escola com Comunidade de Aprendizagem é cada vez maior no decorrer dos anos, envolvendo a Educação Infantil e o Ensino Fundamental, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Há Tertúlias, Grupos Interativos, Comissões Mistas, Formação de Familiares, Biblioteca Tutorada e está entrando na rotina a prática das Comissões Mistas o Modelo Dialógico de Resolução de Conflitos.      

Nossa escola do campo continua na busca constante de realização de seus sonhos. As atividades das Comissões em seus encontros quinzenais buscam nortear ações para atingir seus objetivos: são cerca de 10 pessoas que lutam para que as necessidades dos 103 alunos sejam garantidas. Neste ano já conseguiram arrecadar verbas para fazer um delicioso café com a comunidade, vivenciando uma gestão democrática e dialógica enriquecida com a participação dos envolvidos no cotidiano escolar. Também buscaram voluntários para reorganizar o pátio externo da escola, material de doação para executar as reformas e ainda montaram curso de crochê para pessoas interessadas em ampliar sua renda ou ter um momento prazeroso.

A maior das mobilizações das Comissões foi buscar, com o apoio da secretaria de educação, a implementação do EJA em 2017. Eles apresentaram às autoridades a importância de dar oportunidade a pessoas do bairro que não tiveram condições de ter acesso ao Ensino Regular - e hoje a turma tem 14 alunos! Não paramos por aí! Os sonhos continuam rumo a novos desafios." 

 

Patrícia Bernardes Silva Rosa, Escola Municipal Senador Lúcio Bittencourt, Serra do Salitre (MG)

Transformação na rotina, mudança nas pessoas

"É possível ainda emocionar nossos alunos em um mundo tão acelerado e com tantas informações disponíveis? Ensinar se tornou algo angustiante, e foi por isso que procurei trabalhar de forma diferenciada com meus alunos. A ideia foi proporcionar um ambiente educacional acolhedor que suprisse de alguma forma essa necessidade de estar sempre em movimento, de falar coisas corriqueiras do dia a dia, de dialogar com os colegas e debaterem opiniões.

Uma colega, que já realizava Tertúlias Pedagógicas com os professores da escola, me incentivou a fazer as Tertúlias Dialógicas Literárias em minha sala em alfabetização. Meus alunos se empolgaram muito, todos participaram, comentaram fatos relacionados ao seu cotidiano, e mesmo aqueles que demonstravam pouco interesse aos componentes curriculares passaram a se interessar bastante. Houve uma grande transformação na minha vida como professora, porque jamais imaginei que um simples momento de leitura em roda e oportunidade de expressarem suas opiniões pudessem ter tanto êxito.  As tertúlias passaram então a fazer parte do planejamento mensal. E as crianças avançaram muito depois disso. A turma passou a fazer mais comentários coerentes e relacionados às falas dos demais, outros estudantes já liam concentrados e entendiam os textos, e todos expressavam suas próprias opiniões. Foi muito gratificante e então passei a incluir a prática semanalmente! Notei que o diálogo igualitário é um caminho para a educação de qualidade: meus alunos passaram a ser mais argumentadores, dialógicos, sabiam intervir e expor suas ideias.

Fui também convidada pela direção escolar para ser moderadora de uma Tertúlia Pedagógica dirigida às minhas colegas de trabalho – não foi fácil falar diante de outras professoras experientes, mas me senti mais segura e confiante quando percebi que aquele era o diálogo igualitário que eu tanto defendia! Naquele momento éramos iguais, não havia hierarquia e éramos todas interessadas em aprender e dialogar. Ao ouvi-las, percebi que não nos conhecíamos e não tínhamos vivido outras oportunidades de emitir nossas opiniões, o que emocionou a todas.

Ultimamente também experimentei os Grupos Interativos e gostei muito de ver as turmas interagindo e dividindo o conhecimento com o colega, além dos pais participando como voluntários. Uma das mães de aluno, feliz por voltar para a sala de aula, tomou coragem e retomou os estudos.

E assim venho seguindo minha rotina, ensinando e aprendendo. Quanto mais trabalho, mais vejo que na educação não devemos seguir uma receita pronta, mas que precisamos de doses de paciência e muito amor pelo nosso educando, que é nosso maior bem. Aprendi também que existem pais que fazem a diferença e que em outros nós somos responsáveis por colaborar com a transformação deles.

Com Comunidade de Aprendizagem eu percebi que os estudantes têm o direito de sonhar e realizar o que desejam. E se pudermos ter suas famílias ao nosso lado, sonhando juntos, melhor ainda. Todos nós somos responsáveis pela superação das desigualdades sociais para a melhoria da convivência e participação de todos."

 

Simone Neves Pinto, Escola Maria Nilda de Carvalho, Iraquara (BA)

Um novo prédio e nossos sonhos sendo realizados

"Desde 2016 o projeto Comunidade de Aprendizagem está na nossa escola e foi bem aceito pela equipe, estudantes, pais e comunidade do entorno. As primeiras ações têm sido um sucesso, com empolgação por parte de todos e a esperança de dias melhores.

Como toda a comunidade está envolvida no processo de formação de seus indivíduos, os sonhos dos alunos foram apresentados à gestão pública municipal. As turmas pediam uma escola com espaço de lazer, local adequado para o plantio de hortas, construção de jardim e uma quadra poliesportiva. Mas o prédio fica em um terreno acidentado e cheio de pedras, então parecia impossível realizar esses sonhos!

Mas uma solução está no caminho de ser alcançada: a escola será transferida para outro prédio e terá quadra poliesportiva, salas para o desenvolvimento de oficinas no contraturno e banheiros com chuveiro. Há também espaço para construção de jardim, hortas e um pequeno pomar. Em 2018 a escola passará a funcionar em tempo integral, proporcionando uma transformação social e cultural que envolve alunos, professores, pais e demais cidadãos na construção de um projeto educativo e cultural próprio, para educar a si, suas crianças, seus jovens e adultos."

 

Vanderlei Roberto Gabricio, EMEF Adirce Cenedeze Caveanha, Mogi Guaçu (SP)

E o sonho se realiza a cada dia

"Desde muito cedo acreditei no poder de transformação da Educação e desenvolvi várias iniciativas para que mudanças pudessem ocorrer de fato. Ainda como estudante, criei um jornalzinho em que publicava poesias, informações da escola e entrevistas. Tinha a intenção de melhorar nossa escola através da participação coletiva. Como aluno do Ensino Médio, me juntei a outros colegas para participarmos de uma Feira de Ciências na cidade vizinha. Orientamos estudantes de 5º série e nossos pequenos monitores apresentaram com sucesso os projetos na Feira!

Já faz anos que essas iniciativas foram realizadas, mas continuam gravadas na minha memória e no coração. Eu acreditava que não tinham ido adiante porque eu era aluno e não tinha autoridade suficiente para conquistar respeito dos demais.

O tempo foi passando, mas meu sonho de desenvolver um trabalho educacional transformador continuava. Fiz faculdade de Pedagogia, especialização em Psicopedagogia, criei um curso online e um livro, dei aula na pós-gradução. Continuei a estudar e defender a participação da família e da comunidade na escola, mas sempre senti que faltava algo em que eu pudesse me apoiar. Precisava de estratégias que me dessem segurança nos momentos de propor ações e enxergar possibilidades de resultados.

Em 2017, um pouco frustrado com os resultados das iniciativas, mas sem esquecer meu sonho, fui convocado para ser Coordenador Pedagógico em uma das escolas que estão em processo de transformação para se tornar Comunidade de Aprendizagem! Tenho me empenhado em conhecer mais do Projeto por meio das formações realizadas no meu município e do curso a distância. Quanto mais noto os resultados do Projeto, mais me empolgo e acredito que estou preparado. Agora sinto que meu sonho finalmente começa a se realizar de forma sólida!

Tenho a utopia de ver não somente a escola, mas a comunidade envolvida no processo de transformação contínua, com implementação regular das ações educativas de êxito. Não me importam os obstáculos a vencer.

Embora haja muito o que fazer, sinto que a transformação dentro de mim já começou. Eu sempre acreditei que precisava ter autoridade (através de títulos, cargo ou mais conhecimento) para conseguir ser respeitado. Mas desde que comecei a me envolver com Comunidade de Aprendizagem aprendi que vale muito mais o argumento, a ação dialógica e a identificação da inteligência cultural de cada um do que minha posição hierárquica.

Hoje eu sonho, mas já não caminho sozinho. Sinto que os sonhos da comunidade também são meus! E eles já se tornam realidade!"

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