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Como prevenir e combater os conflitos e a violência na escola

29/06/2016

Como prevenir e combater os conflitos e a violência na escola

Conflitos e violência na escola estiveram entre os temas do segundo módulo da Certificação de Formadores em Comunidade de Aprendizagem, em São Paulo (confira fotos dos participantes do evento abaixo). As responsáveis por encaminhar a discussão, no dia 29 de junho, foram duas espanholas. Nuria Marin Garcia, da Escuela Mare de Déu de Montserrat, na cidade de Terrassa, explicou de que forma sua escola e a comunidade se organizaram para criar regras de boa convivência (e cumpri-las!). E Ainhoa Flecha, pesquisadora do Centro Especial de Investigación en Teorías y Prácticas Superadoras de Desigualdades (CREA) e professora da Universidade Autonoma de Barcelona, discorreu sobre bullying e a responsabilidade de cada um para solucionar as situações de agressão.

  

 

 

A seguir, veja um resumo do que foi falado por elas:

Ainhoa Flecha, do CREA, concentrou sua fala sobre os conflitos escolares. Ela afirma que todas as escolas têm episódios de violência na rotina, podendo variar a gravidade ou a frequência. Normalmente o bullying ocorre em momentos sem intervenção direta dos educadores, como no pátio ou nas horas de alimentação. Por isso, é importante a escola reconhecer que existem, assumir um compromisso pela não-violência e planejar ações de envolvimento com a comunidade para resolvê-los.

A pesquisadora alertou que os conflitos não podem ser vistos como banais ou “coisas de criança”, e que a comunidade escolar tem a obrigação de promover a reflexão e o debate, preparar os estudantes para se proteger e se apoiar nos colegas, mostrar a eles como evitar exposição excessiva e ensiná-los a reagir em casos em que se sintam ameaçados. “Precisamos atuar sempre e atuar rápido com agressores, vítimas e demais pessoas envolvidas, que assistem aos conflitos mas se calam e não intervêm”, diz. Também é importante fortalecer aqueles considerados “dedo duros”, mostrando que eles são corajosos por não se omitirem: “É um pedido de ajuda que precisa ser valorizado e não criticado por estar comunicando algum ato errado”, completa. Para conseguir agir dessa forma, as equipes da escola precisam rever suas práticas a todo momento, sem repetir modelos ultrapassados.

 

Nuria Marin Garcia, da Escuela Mare de Déu de Montserrat, diz que sua escola hoje tem cartazes afixados nas paredes com uma lista de combinados para a boa convivência. Entre as regras estão: é proibido falar mentiras sobre o colega, agredir fisicamente ou discriminar (veja foto abaixo com todos os itens).

Nuria conta que foi necessário quase um ano de reuniões para que alunos de diferentes idades, equipe da escola e familiares finalizassem o material. O desafio foi traçar regras claras e precisas, de interesse geral, e possíveis de serem acompanhadas. “Não fizemos votação para eleger o item que a maioria preferia. Sempre quisemos chegar a um consenso, o que foi possível com muita conversa e argumentação. Sabíamos que não faria sentido apresentar um termo de compromisso elaborado pela escola e que fosse apenas assinado pelos pais dos alunos. Era necessária a construção conjunta das regras para que todos se sentissem responsáveis pelo seu cumprimento”, conta. Com a lista estabelecida, o desafio agora é outro: a comunidade precisa estar atenta para que as regras sejam aplicadas e possam passar por  revisões contínuas. “Podemos superar desafios e notar a necessidade de tirar ou acrescentar alguns itens que façam mais sentido para a escola”, comenta.

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