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"Aprendizagem Dialógica na Sociedade da Informação" é lançado em português

20/03/2017


Aprendizagem Dialógica na Sociedade da Informação é uma obra de referência para quem está ligado à Comunidade de Aprendizagem. Lançado originalmente em 2008 em espanhol, o livro foi traduzido para o português com apoio do Instituto Natura e publicado pela EDUFSCar no final de 2016 (disponível para venda no site da editora por R$ 30). Os autores são pesquisadores da Comunidade de Pesquisa para a Excelência para Todos (Community of Research on Excellence for All) (CREA), com sede na Universidade de Barcelona, na Espanha: Adriana Aubert, Ainhoa Flecha, Carme García, Ramón Flecha e Sandra Racionero. Roseli Mello, do Núcleo de Investigação e Ação Social e Educativa (NIASE), da Universidade Federal de São Carlos, foi a responsável por escrever o texto de apresentação da edição brasileira. Abaixo, leia a entrevista que fizemos com ela, que aborda as características do livro e de que forma a aprendizagem dialógica contribui para enfrentar os desafios atuais da sociedade.

 

O que representa para sua trajetória com Comunidade de Aprendizagem fazer a apresentação do livro?

Roseli Mello - Foi um privilégio poder participar! Fiz o pós-doutorado no CREA e encontrei nessa experiência o que considero as respostas científicas para dramas educacionais brasileiros. Há 15 anos, criei o Núcleo de Investigação e Ação Social e Educativa (NIASE), da Universidade Federal de São Carlos, e a publicação do livro neste momento é como comemorar meu encontro com bases teóricas muito importantes.

 

Qual a contribuição deste livro para os envolvidos com CA no Brasil? 

Roseli Mello - Considero Aprendizagem dialógica na sociedade da informação um livro que sintetiza com profundidade as bases teóricas da Aprendizagem Dialógica e das Atuações Educativas de Êxito (AEE) e por isso é uma referência para quem está trabalhando com CA. Com uma linguagem agradável, a obra traz conceitos profundos, colaborando para a reflexão do leitor e da leitora. Isso faz com que seja possível desenvolver uma autonomia de pensamento muito grande: saímos do âmbito do “tem de fazer de determinada forma porque alguém está falando” para “eu compreendo o motivo de fazer de determinada forma”.

 

A quem o livro é destinado?

Roseli Mello - Para o público em geral, seja professor, voluntário, quem está conhecendo ou já tem ligação mais profunda com Comunidade de Aprendizagem. Por tratar de conceitos complexos, pode ser também obra interessante para discussões em Tertúlias Pedagógicas.

 

Na apresentação, você ressalta que o livro é atual porque responde às necessidades presentes na sociedade. Mas por que a Aprendizagem Dialógica é uma concepção importante para nossos tempos?

Roseli Mello - As explicações encontradas na Aprendizagem Dialógica ajudam a enxergar a complexidade da vida atual e a encarar os desafios escolares. Hoje vivemos em uma sociedade da informação, em que o conhecimento é produzido em alta velocidade. A rotina torna-se acelerada a partir da comunicação em tempo real, e a ciência penetra fortemente no cotidiano, seja na medicina, na estética, no bem-estar emocional, na produção de bens de consumo e em outros tantos campos. O conhecimento é difundido através das tecnologias, mas o resultado disso não é necessariamente mais conhecimento, e sim um grande volume de informação.

Para conseguir circular nesse ambiente, torna-se essencial para as pessoas o acesso à aprendizagem instrumental, que garante aos não-especialistas o contato com conhecimento e com a possibilidade de fazer escolhas. Esse é um saber que vem da escola, adquirido na leitura e na escrita em profundidade, nos conhecimentos de matemática, no manejo de tecnologias e dos idiomas. Com a aprendizagem instrumental, cada indivíduo domina mais profundamente os instrumentos básicos para entender informações, diferenciar quais são verídicas, checá-las e transformá-las em conhecimento para agir em liberdade.

As teorias de aprendizagem e de ensino geradas até há poucas décadas, diante de uma sociedade nem tão complexa, acompanhavam a transmissão de conhecimento de pessoa para pessoa, em que havia reflexão individual e escolha do sujeito. Mas, hoje, se acreditarmos que o correto é deixar cada um seguir seu ritmo, acabamos gerando desigualdade e condenando determinados grupos a não terem acesso às mesmas oportunidades que outros. Por isso, precisamos ajudar os alunos a adquirirem os instrumentos adequados, para não ficarem vulneráveis a manipulações.

 

O livro está dividido em duas partes: aborda as bases teóricas e os sete princípios de Aprendizagem Dialógica. Podemos dizer que a obra procura aprofundamento na teoria ou que há um equilíbrio entre teoria e prática?

Roseli Mello - Há um equilíbrio, afinal uma boa teoria ajuda a movimentação para a prática. A teoria que envolve a Aprendizagem Dialógica não vem de uma única fonte ou campo de conhecimento, e o livro leva o leitor a entender a fonte de cada conceito e como são compostas as ideias. Ao mesmo tempo, traz exemplos de situações vividas em escolas ou em famílias, o que colabora para ver de que forma a realidade gera teorias, e como elas se transformam em prática.

 

Existem outras obras escritas em português que são referência de leitura?

Roseli Mello - Sim. Há alguns autores internacionais com obras publicadas no Brasil. Podemos destacar A teoria da ação comunicativa, de Habermas (traduzida há cerca de 2 anos, mas com alguns equívocos conceituais, se comparada à tradução em espanhol) e as traduções de livros de Vygotsky lançadas após 2008.

Em relação à produção brasileira, é fundamental a produção completa do Paulo Freire, como Pedagogia do Oprimido, Pedagogia da Esperança, Comunicação ou Extensão e demais títulos que exploram conceitos e elementos reflexivos, além do livro Comunidades de Aprendizagem: outra escola é possível, produzido pelo NIASE.

Os artigos expostos na Biblioteca do portal de Comunidade de Aprendizagem, na categoria Textos Científicos, também são leituras ricas para os interessados em CA.

 

Por Beatriz Santomauro

 

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