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A pesquisa Includ-ed e as primeiras experiências de Comunidade de Aprendizagem

21/08/2017

A pesquisa Includ-ed e as primeiras experiências de Comunidade de Aprendizagem

Em julho, durante o segundo módulo de certificação de formadores em Comunidade de Aprendizagem (CA), em São Paulo, os participantes ouviram Rosa Valls, pesquisadora do Centro Especial de Pesquisa em Teorias e Práticas Superadoras da Desigualdade (CREA), da Universidade de Barcelona, que fez um histórico sobre as primeiras experiências de CA e a pesquisa Includ-ed. Veja alguns dos principais trechos:

“A primeira escola que surge como Comunidade de Aprendizagem é a La Verneda San Martí, em 1978. Ela está localizada em um bairro pobre de Barcelona (Espanha) e despontou como referência mundial: chegou a ser destaque na revista de Educação de Harvard e foi citada em 20 teses de doutorado.

Em 1991, os pesquisadores Jesús Gomez e Ramón Flecha começam a procurar práticas educativas que estão superando o fracasso escolar. Neste momento, já vivíamos em uma sociedade da informação e precisávamos lidar com um cenário complexo! A Espanha enfrentava uma grande reforma educacional, mas não encontrava resultados na aprendizagem. 

  

O CREA então criou em 1994 um congresso sobre novas perspectivas da educação e apresentou o que já havia analisado, mas o contexto do país não possibilitava que CA se espalhasse pelo país. Em 1995, o governo então permitiu que o projeto fosse implementado em quatro das escolas do país basco, aquelas que apresentavam os piores indicadores. E elas começam a avançar!

Em 1997, Ramón Flecha publica o livro Compartiendo Palabras, quando pela primeira vez fala sobre os princípios da aprendizagem dialógica e as bases científicas de CA. Mais adiante, em 2008, os pesquisadores do CREA lançam novo livro, (já traduzido para o português, Aprendizagem Dialógica na Sociedade da Informação).”

Includ-ed

“Entre 2006 e 2011, os pesquisadores do CREA encabeçam uma pesquisa mundial, chamada Includ-ed, para procurar práticas de diversos países que tivessem resultados consistentes, fossem realizadas há algum tempo e gerassem sucesso acadêmico e desenvolvimento social. A equipe de 15 universidades vindas de 14 países financiada pela Comissão Europeia fez a maior pesquisa já realizada sobre inclusão social, superação do fracasso escolar, desigualdades e êxito educativo para oferecer as mesmas oportunidades, e analisou estudantes de todas as idades da educação básica e todos os agentes envolvidos. Como característica comum a todas as escolas, os pesquisadores notaram ser essencial o envolvimento de familiares e da comunidade.

Da Includ-ed são criadas a base de Comunidade de Aprendizagem e ficam definidas as Atuações Educativas de Êxito (AEE), que são sete até agora. Chamamos de êxito aquelas práticas que resultam em bons resultados e boa convivência escolar de todos e todas, igualmente. Quanto maior a diversidade e a interação dos estudantes, melhor. Não podemos chamar as AEE de um método, mas uma forma de atuação que exige envolvimento com a comunidade. Para acompanhar os resultados, é essencial ter como base avaliações de cada localidade, fortalecendo o projeto e verificando como funciona.

O parlamento europeu reconheceu a Includ-ed como a única pesquisa de ciências humanas de destaque, faz extensa divulgação das práticas e recomendou que as escolas implementassem as AEE”. 

  

CREA e CA hoje

“O CREA funciona como centro de pesquisa que tem sede na Universidade de Barcelona e investiga Comunidade de Aprendizagem e realiza outras tantas pesquisas. É um grupo interdisciplinar, que envolve áreas diversas, como psicologia ou economia, e atualmente tem um total de 74 pesquisadores de 14 universidades. Hoje, CA faz parte das políticas públicas de algumas localidades, como de Santa Fé (na Argentina) e na Andaluzia (Espanha). São cerca de 600 escolas no mundo que são Comunidade de Aprendizagem e cerca de 1.000 que fazem AEE”.

 

Texto e fotos de Beatriz Santomauro

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